O Sono da Razão: burro!

Por Francis Ivanovich:

Conversava pelo celular com o meu primo Rui, que reside em Portugal há muitos anos, sobre essa voz interna que temos e que muitas vezes insistimos em não dar ouvidos. É a voz que nos diz, lá no íntimo: “Sai dessa!” “Não vá!” “Desista” “Não confia!” “Foge!” “É um erro!” “Furada!”

E quantas vezes ignoramos essa voz conselheira, que meu primo Rui, muito espiritualizado, acredita ser nosso anjo da guarda. De certa forma, essa voz é de fato um anjo da guarda, a nos alertar sobre os resultados de determinação ação, decisão, escolha.

Essa voz interna eu não tenho dúvidas em afirmar que tem nome, é a Razão.

Goya criou este desenho magnífico acima e o legendou: “O sono da razão produz monstros”. Uau! Queria ter criado esta frase. Não é exagero essa comparação feita pelo genial artista espanhol.

Nos meus 59 anos, faço uma busca no Google das minhas recordações e não demoro a obter os resultados. Quantas situações difíceis, constrangedoras, complicadas e até perigosas eu poderia ter evitado em minha modesta vida, se eu ouvisse a voz da Razão.

Não!

Fui em frente, motivado pelos desejos, fantasias, ilusões, carências. Aí o tempo passa, a verdade prevalece, a gente dá com a cara na parede.

É bem difícil a gente ser Razão na vida. Como recordou o primo Rui, só se fossemos o personagem mergulhado na lógica, o Doutor Spock, brilhantemente interpretado pelo falecido ator Leonard Nimoy, em Jornadas nas Estrelas.

A Razão é considerada sinônimo de inteligência, e quando estamos atolados em problemas que eram evitáveis, nos olhamos no espelho e soltamos a clássica condenação ou crítica: “Você é muito burro(a)!”

Surge o arrependimento.

O bom dessa história intricada, um verdadeiro jogo de Xadrez, é que muitas vezes é possível a gente corrigir o curso da nossa vida. Desde que não invada a sede dos Três Poderes em Brasília, cometa crimes graves, é claro. Os equívocos, os erros, os fracassos nos ensinam muito. São mestres de primeira linha.

As lições tiradas das besteiras que fazemos nos tornam mais experientes, mais humanos. Sem contar o prazer, a satisfação que você sente ao se deparar com uma armadilha, olhar para ela e com a maior tranquilidade do mundo, sair do seu caminho, como quem se desvia de uma pontiaguda pedra no caminho.

A gente já viu aquela situação e entende aonde vai dar o desfecho. Você percebe que ficou mais maduro. Infelizmente tem gente que não aprende! A vida é para profissionais.

Mas não se iluda, caro(a) leitor(a). Enquanto você estiver vivo, ainda cometerá muitos erros. Talvez seja a graça de existir. Talvez não tenha graça alguma.

A voz dessa fiel companheira, a Razão, continuará a soprar nos ouvidos bons conselhos.

Paro por aqui, a Razão me avisou que é domingo e os meus poucos leitores tem mais o que fazer em sua vida.

Dou ouvidos a velha senhora, desejo um excelente domingo!

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