Saudades do Pessoa

Por Francis Ivanovich:

Em 30 de novembro de 1935, na cidade de Lisboa, Fernando Pessoa deixava este mundo. Passados 87 anos de sua morte, sua obra e imagem conquistaram gerações graças aos seus versos incomparáveis.

Os que me conhecem na intimidade, sabem da minha relação de alma com Pessoa. Dizem que fui um bom intérprete da sua poesia, até tive a oportunidade de gravar em CD que a OAB do Rio de Janeiro presenteou seus advogados, graças ao grande amigo Laert Vieira.

Não gosto de me ouvir dizendo Pessoa, nunca acho que está à altura da obra do genial poeta português. Nos tempos de Oficina Literária, na antiga Universidade Gama Filho, lá pelos anos de 1984-86, a minha querida professora Marina Paranhos me ensinava os mistérios e sonoridades dos versos pessoanos, que tive a ousadia de inserir um sotaque sutil português, ao recitar, e ao que parece, enganava bem.

Jamais reclamaram, nem os portugueses, como Gomes da Costa, o falecido presidente do Real Gabinete Português de Leitura.

Aliás, foi no belíssimo Real Gabinete Português de Leitura, em 2004, que eu encerrei minha carreira de ator, ao ficar seis meses em cartaz com Tabacaria, com patrocínio da Casa Cruz.

O poema Tabacaria considero um dos maiores da história. Interpretar Tabacaria é uma das tarefas mais difíceis para um ator, poucos foram bem-sucedidos, nem o mestre Abujamra obteve tal êxito, devido à enorme complexidade, com todo o respeito e admiração que mestre Abujamra merece.

Para mim, o ator que mais se aproximou da grandeza de Tabacaria, foi o excelente Mario Viegas, ator português, que você poderá conferir no vídeo abaixo.

Fernando Pessoa é alguém muito importante em minha vida de homem comum. O estudei com profundidade, paixão, quase fanatismo. Tive até de me afastar de Pessoa, por um tempo. Isso ocorre muitas vezes com quem amamos.

Quando visitei sua casa, na Rua Coelho da Rocha, em Lisboa, e vi o móvel que ele se debruçava para escrever seus versos – Pessoa escrevia de pé – e a máquina de escrever que ele datilografou Tabacaria, foi um momento muito especial em minha vida.

Hoje, 30 de novembro, dia da sua partida, eu não poderia deixar de prestar homenagens a este homem e poeta que morreu anônimo, mas que sabia no seu íntimo que sua poesia iria ser uma caravela a revelar a língua portuguesa para todo o mundo.

Tenho saudades do Pessoa, um amigo fiel que sempre tive e que me fez olhar para a vida com um “olhar nítido como um girassol”…

Te amo, Pessoa!

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