Que os poetas nos salvem

Por Francis Ivanovich:

Apolo é o deus da Poesia e da Música.

Nesses tempos sem Poesia, dominado por grunhidos selvagens, gritos, berros e mentiras, urge o canto dos Poetas de todas as eras, tornando a nossa vida mais sensível, menos dura, mais alegre.

Recorro ao poeta Virgílio que nos diz: “O amor vence tudo”; peço socorro a Camões que dá voz a Jacó que desejava a pastora Lia: “Para tão longo amor tão curta a vida!”; e o Vinícius se une a Camões quando nos aconselha: “Eu possa me dizer do amor (que tive), que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure”.

Ah! os Poetas, o que seria deste mundo sem esses seres estranhos, necessários, que dedicam tempo a maturar e conceber versos.

Como não se encantar quando Mário Quintana nos afirma que: “Todos esses que aí estão atravancando meu caminho, eles passarão… Eu passarinho!”.

Eu tive o privilégio de conhecer uma poeta, Cora Coralina, em sua Casa da Ponte, na Goiás Velho, eu era adolescente, anos 70. Ela que escrevia versos e vendia doce caseiro.

A poeta de cabelos brancos, voz inesquecível, dizendo um dos seus versos: “Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores”.

Este mundo precisa de mais Poesia, desistir esse caminho repleto de pedras a fazer sangrar nossa caminhada, e o grande Drummond nos alerta: “Tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra”.

Recordo dois poetas do Rock Nacional, Renato Russo, em Pais e Filhos: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã…”; e Cazuza que nos pergunta: “Que país é esse?”.

Ah! os Poetas, como Cartola com suas rosas não falam, Nelson Cavaquinho que nos aquece ao cantar em Juízo Final que “o mal será queimada a semente”.

Que Apolo (foto), o deus da Poesia e da Música, nos envie uma legião de poetas, como anjos, a ocupar cada aldeia, cidade, país, nos libertando do baixo calão, do urro da violência.

Neste dia mundial do Poeta – e muitos deles morreram na tristeza, pobreza e esquecimento – eu não poderia olvidar de um poeta tão presente em minha vida, Fernando Pessoa. Dele recordo um poema que deveria pautar o Brasil e a vida de todos os brasileiros:

Para ser grande, sê inteiro: 

Nada 

Teu exagera ou exclui. 

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és 

No mínimo que fazes. 

Assim em cada lago a lua toda 

Brilha, porque ALTA vive.

Saudação e agradecimento aos poetas e as poetas!

Que eles nos livrem com sua Poesia das baixezas deste mundo!

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