Dia da gula

Por Francis Ivanovich:

Gula de Jeroen Bosch.

Hoje é o dia da gula. (26 de janeiro) A gula é um dos sete pecados capitais juntamente com a soberba, avareza, inveja, ira, luxúria, e a preguiça. A gula ou a “gastrimargia“, expressão criada por Evágrio Pôntico, um escritor, asceta e monge cristão que viveu no Egito entre 346-399 AC, é farta imagem das fomes que nos apetecem no cardápio dos dias.

Somos todos gulosos, de alguma forma e fôrma. E também cozinheiros a preparar a mesa dos sonhos, levando à boca o garfo das necessidades.

Você tem fome de quê?, nos pergunta a canção “Comida”, dos Titãs.

Ao meu ver, a pior gula que existe é pelo poder. É uma fome insaciável. Esses glutões são extremamente perigosos, verdadeira indigestão. Você não tarda a conhece-los. Possuem um apetite voraz. São capazes de devorar a tudo e a todos. Vampiros.

Geralmente são pessoas ditatoriais. Sentar-se à mesa com elas, é certo virarmos o prato principal. A gula pelo poder gerou glutões como Hitler. Essa espécie é mestre-cuca em gerenciar um fastfood de tristezas e dores.

É curioso pesquisar a gula, é um tema suculento, você esbarra na religião, filosofia, psicologia, ética, história, etc.

Uma das definições é esta, o egoísmo (ego + ismo).

O egoísmo que nos habita e nos torna o guloso que coloca seus interesses, opiniões, desejos, necessidades acima de todos no restaurante do convívio. Tenho certeza de que você se lembrou de alguém. Talvez de você mesmo.

Nesse dia da gula, fico a pensar sobre o caminho que percorre nossos desejos, nossas fomes: cabeça, goela, garganta, esôfago, estômago, coração, mundo. Esse percurso resume a vida. Nossas fomes são muitas, nossos banquetes são intermináveis.

Somos todos famintos. Gulosos.

Você tem fome de que?

(Titãs, veja e ouça no vídeo)

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