As pessoas vão embora…

Por Francis Ivanovich:

As pessoas partem. Cedo ou tarde, vão embora. Despedem-se porque desejam novos destinos, ou porque a vida lhes entregou o bilhete definitivo da partida. Alguns viajantes carregamos no coração, outros no fígado, e há os que enfiamos no bagageiro do esquecimento.

Sem exceção, cada um que passa pela nossa estação, nos transforma, imprime marca, descoberta, cartão postal. Somos eternos viajantes resvalando no outro, como quando atravessamos a rua e alcançamos o outro lado, essa nova geografia do nosso próprio ser.

Somos especialistas em partidas, temprano. Uma espécie de plataforma, cujos os trens raspam nossa estrutura. Há trens que passam velozes, há trens que ameaçam parada, há os que estacionam para novo embarque, os que indicam enguiço, e os que aparentemente jamais irão respeitar o aviso de vai partir! Engano.

Somos mapa, ponto de parada, estação, cais, aeroporto, plataforma de lançamento de nave espacial. Somos pés, patas, rodas, asas, turbinas, balões, trilhos, casco e foguetes. Ponto morto, Ignição, explosão, arranque, movimento… Milton nos canta:

O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro é também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar

As pessoas vão embora. Ficaremos com o único companheiro possível de viagem, nós mesmos. Numa das mãos a fotografia, na outra a bagagem arrumada pela vida que tivemos. Mala cheia ou vazia; organizada ou tremenda bagunça; passaporte em dia ou expirado; fronteira aberta ou cerrada.

O funcionário da alfândega, carrancudo e também viajante, somos nós diante do guichê que escolhemos apoiar os cotovelos. No carimbo está escrito: teu nome.

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