Os Derradeiros dias do Poeta Josef Sant (9)

Os ladrões levaram o fusca vermelho, ao assaltarem o posto. Aristides reagiu e acabou com o rosto machucado. O poeta Josef Sant e Maria foram a UPA busca-lo. O homem, que era de ficar em silêncio, não parava de se desculpar por não ter conseguido evitar o roubo do carro.

– Esqueça isso, o importante é que você está bem, podia ter sido coisa pior. – consolou Josef Sant, mas realmente Aristides parecia inconsolável, como se tivesse cometido um grave pecado.

Maria ao ver que o marido estava bem ficou mais tranquila, em seguida deu um tapa forte no braço de Aristides, irritada.

– Pensei que depois de velho você tinha perdido essa mania de reagir! Podia estar morto!

Aristides finalmente ficou calado e voltaram pra casa no mesmo taxi que o haviam trazido ao hospital.

Na casa, Jose Sant teve a sensação de que realmente sua vida estava chegando ao fim, o roubo do fusca vermelho era mais que simbólico. A vida parecia estar encerrando histórias, realizando o inventário da sua existência. Uma tristeza leitosa lhe cobriu por inteiro, sentiu o corpo cansado, a alma com compromissos a encerrar.

– O que eu deve resolver? – Perguntou-se, erguendo-se lentamente, caminhando até o escritório, onde abriu um envelope bem guardano numa gaveta fechada à chave. De dentro dele retirou cartas trocadas com um amor secreto. Há mais de 10 anos não se falavam. Ela que estava disposta a separar-se do marido para ficar com ele. No entanto sua covardia o impediu de ir adiante, sem contar que o escândalo poderia atrapalhar sua vida como autor. Lucinda era mulher do seu editor.

– Lucinda, por favor.

– Quem deseja?

– Josef.

Um silêncio de montanha ergueu-se na linha e após alguns segundos a mulher falou.

– Sou eu.

– Preciso ve-la, antes que eu morra…

Continua…

Publicado por Francis Ivanovich

Cineasta cineasta escritor.

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