Os Derradeiros Dias do Poeta Josef Sant (6)

Despertou ao som de um galo regendo o amanhecer. Dormira numa rede. As costas doiam. O velho já estava de pė, emoldurado pelo batente da porta. Segurava a caneca de cafė esmaltada em azul celeste, de onde escapava fumaça como um pequeno fantasma. O café era plantado na roça do velho, ele que morava sozinho com seus bichos e agricultura.

– Bom dia!

– Bom dia!

– A chuva passou, preciso voltar para casa.

– Levo o senhor.

– Obrigado. Está melhor? Perguntou Josef Sant.

– Não foi nada, disse o velho indo para o quintal.

Retornaram à casa no lombo do Fagulha, era assim que o velho batizara o cavalo. Ao chegarem à casa, Maria estava no portão despenteada, o marido ao lado, ambos com os olhos vermelhos denunciando que ninguém havia dormido. Ao verem quem estava com o poeta, se encolheram, mas não refutaram bom dia.

– Bom dia, adeus.

O velho seguiu pela estrada, trotando suavemente.

– Quase morri de preocupaçao, ia ligar pro seu Barbosa. – Disse Maria quase num tom de bronca. O Marido ficou quieto.

– O senhor passou a noite na casa dele?

Perguntou Maria com a voz quase sufocada.

– Passei. Ele ė calado, mas boa pessoa. Nem sei seu none.

O marido tossiu, ajeitando a garganta, como quem fica sem graça, Maria se aproximou de Josef Sant e disse baixinho.

– Antônio Caveira. Esse homem é pistoleiro, carrega muitas mortes nas costas.

O poeta Josef Sant ficou surpreso. Recordou que havia uma espingarda pendurada num canto da casa do velho. Jamais imaginaria tal coisa.

– Como vocês sabem disso? – perguntou Josef Sant com curiosidade.

– Todo mundo sabe, ele é antigo aqui, trabalha pra gente graúda. Se eu fosse você ficava longe dele. – Disse Maria entrando na casa, seguida pelo marido como sempre calado.

O poeta Josef Sant olhando a estrada, ficou a pensar de que valia a pena visitar esse homem, um dia. Havia nele algo que o atraia, seu jeito seguro e preciso, como alguém que não teme nada na vida. ELe que estava morrendo ir ao encontro de alguém que por ofīcio tirava a vida, era no mīnimo Literatura.

Estava decidido procurar o Antônio Caveira.

Continua…

Publicado por Francis Ivanovich

Cineasta cineasta escritor.

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