Os Derradeiros Dias do Poeta Josef Sant (2)

O médico disse-lhe com o máximo de cuidado que ele tinha de seis meses a um ano de vida. O linfona era bem agressivo. Despediram-se com um aperto de mão formal; saiu escondido do hospital, pelos fundos, onde o carro do amigo e advogado, o Dr. Barbosa, o aguardava. A imprensa estava na entrada principal há uma semana, desde que ele havia sido internado, desde o desmaio.

– Barbosa, você organiza tudo o que for preciso, ok?

– Claro. – Respondeu o amigo advogado, acendendo um cigarro e pondo o carro em movimento.

Ao ver o cigarro na boca do amigo, o poeta Josef Sant lembrou-se das diversas vezes que alertara-lhe que o tabaco iria mata-lo um dia; o Dr. Barbosa consumia até três carteiras de cigarros por dia, totalizando em um ano o absurdo número de 21.900 cigarros.

Riu de si mesmo o poeta e pediu para ir para seu esconderijo em Teresópolis, onde possuia uma pequena casa que nem sua família sabia a existência. Somente Barbosa conhecia o lugar. Quando ele se escondia na casa, sua assessoria de imprensa inventava que tinha ido para Portugal, descansar.

A viagem até Teresópolis durou duas horas. Ao chegar à casa, sentou-se na sua cadeira favorita, na varanda, e ficou observando os pássaros nas árvores e na grama e como o jardim estava cheio de vida.

Em silêncio os amigos ficaram um bom tempo, até que o Dr. Barbosa chorou baixinho, quase envergonhado, com um cigarro apagado entre os dedos, para espanto do poeta Josef Sant.

– Por favor, Barbosa, o que é isto?

– Não é nada, meu amigo! É que decidi parar de fumar. Vou sentir uma falta danada do cigarro. – Disse, atirando longe o cigarro.

O poeta Josef Sant sorriu, os pássaros voaram.

Continua.

Publicado por Francis Ivanovich

Cineasta cineasta escritor.

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