Help!

Foto por Alan Cabello em Pexels.com

Help! Grita o meu país. A cada dia o meu país sofre. Todos, sem exceção, mesmo os que tentam gritar, fingem acreditar que tudo vai mudar. Nos sentimos impotentes. Procuramos em vão por um caminho sem pedras, a mão que nos socorra, a Instituição que nos guarde. Lembramos de um Deus particular, um Deus poderoso e mágico que ouvirá nossas preces e nos livrará do mal.

O meu país foi tomado pelo mal. Um mal mais que doentio. Um mal planejado. Um mal que imobiliza, aterroriza, engana, e se veste de banal. Banal sim, pois ele se disfarça de coisa corriqueira com o intuito de não mais chocar, não mais causar indignação, tornar-se tão íntimo de nós, que olhemos para ele e fiquemos de acordo. Este tem sido o maior perigo.

Help! Em inglês sim! Em vez de socorro. Na esperança de que as Nações que ainda prezam pelo respeito à vida dos seus cidadãos nos ajudem. Não é possível que o mundo assista a tudo isto sem tomar nenhuma atitude. Estamos nos tornando uma praga. Um país vírus, um país do mal, um verdadeiro paraíso do mal.

A cada dia somos obrigados a ouvir mentiras, asneiras, falsas promessas, recados elaborados com a intenção clara de nos confundir, de nos escravizar, de nos matar no que há de mais sagrado, a própria vida. Não se trata mais de só defender a Liberdade, mas a vida de nossos avós, nossos pais, irmãos, amigos, da nossa gente!

Não estou sozinho neste grito, eu sei, sou mais um na multidão tentando gritar enquanto a farsa nos cerca, nos limita, oprime, nos mata. A covardia instaurou-se em meu país. Foram capazes de tirar a presidente do poder por causa de uma suposta pedalada, mas se calam diante de um atropelador de vidas.

Já decidi que se isto continuar em 22, vou embora. Não suportarei viver isto outra vez. Imporei a mim mesmo o exílio, mesmo que me custe sacrifícios. Estamos todos adoecendo a cada dia, adoecendo na alma, fingimos que não, tentamos seguir em frente, ainda sorrindo, alguns com alguma responsabilidade com o outro, a maioria fingindo não se importar com nada, como que anestesiados, mera fuga.

O meu país grita Help! Um grito mudo. Expresso em pequenos gestos, olhares assustados, em mãos que se esfregam, em bocas tapadas por uma máscara de ferro. Se o resto do mundo não nos ouvir, pagará caro, tudo será em vão. O mundo é um só. Não haverá vacina que de jeito. O mal não se cura com agulhas.

Francis Ivanovich.

Publicado por Francis Ivanovich

Cineasta cineasta escritor.

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