Arte online sim, de graça não

De graça não.

Pergunto: quando vais ao supermercado, farmácia, academia de ginástica, salão de beleza, restaurante, boteco da esquina, paga meia? Pede para ser gratuito?

Explique por que você paga meia-entrada no teatro, cinema, show, espetáculo de dança, exposição, e não paga meia no dentista, no médico, no açougueiro, no farmacêutico, no feirante?

Por que você reclama do preço do ingresso da atração artística, e até tem a coragem de enviar uma mensagem pedindo uma cortesia ao artista?

Agora são as lives! A pandemia, este calvário psicológico, foi amenizada graças ao acesso online de diversos produtos culturais. Muitos artistas entregaram de bandeja sua arte, seu trabalho, seu coração, seu suor. Acostumando mal o público.

Com a clara certeza de que a vacina contra o virus vai demorar, os artistas e produtores começam a se organizar para encarar esse desafio de fazer arte online.

A hora da onça beber água chegou. Nós produtores e artistas precisamos pagar o aluguel, a comida, luz, saúde, o transporte, como qualquer trabalhador com sua família. Precisamos cobrar ingresso.

Estou vivendo na pele este desafio ao produzir e dirigir o Jazz in Rio Online, no Teatro Solar de Botafogo dirigido por Leo Franco e Maria Maria Griffith, em parceria com o Jazz Online de Buenos Aires, idealizado e produzido pelo competente Mauricio Mankovski.

Trata-se de um show que, não ė live improvisada, reúne grandes músicos do jazz, bem produzido, gravado em alta definição de imagem e audio, um trabalho que me enche de orgulho e minha equipe.

Estamos cobrando ingresso, o custo dele não mais que duas cervejas e um pastel. Mesmo assim, recebo pedidos de cortesia e os que me falam que irão comprar o ingresso simplesmente falam isso para agradar. Não compram nada. (Ninguém é obrigado a comprar, mas é melhor ficar calado)

Artistas e produtores precisam se unir. Acabar com esse hábito vil de desvalorização dos produtos culturais. Todos nós temos de viver e sobreviver num país governado por gente que despreza a Cultura. Ė hora de união e trabalho coletivo da nossa sofrida e explorada classe, arte online sim, de graça não!

Caso contrário, nós corremos sérios riscos. Arte não é superfluo, é essencial à sobrevivência existencial humana, a pandemia comprovou este fato inegável.

Francis Ivanovich.

Publicado por Frankfurt Produções

Produtora audiovisual - Cinema, TV, internet, shows, Cursos, produtora dirigida por Francis Ivanovich. cineasta escritor.

Um comentário em “Arte online sim, de graça não

  1. As pessoas pagam entretenimento sem problema – filme da Marvel, show de axé, bandana de Carnaval, rock n rio…

    Por que não pagam arte? Não sei. Talvez porque não curtem, talvez porque não seja bom, talvez porque possam ter de graça ou pagar meia.

    Um dia conversando com um amigo diretor me perguntei, “nem sei se arte deveria ser paga/vendida”. Afinal, se está a venda é “arte” ou é “produto”. Arte se vende? Ou arte se faz. E se é produto, daí… as pessoas compram um e não outro, depende da moda, da cultura do grupo, as pessoas pechincham, pedem desconto, etc. ________________________________

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